quinta-feira, 31 de maio de 2012

Sobre as coisas importantes na vida.

Quando somos crianças queremos o conjunto de lápis mais colorido. Quando somos adolescentes queremos o par de sapatos mais bonitos da festa. Quando somos adultas queremos o creme de celulite mais eficiente do mercado. E ai? Vai ser sempre assim? Vão ser todos assim? De nascer e morrer sempre querendo o mais? A maior festa? O maior número de gente nos dando feliz aniversário, mesmo que não signifique nada? Tantas pessoas olhando para nós por causa da nossa blusa? Aprendi com dificuldade que prefiro ganhar um feliz aniversário verdadeiro de uma pessoa que eu amo do que 20 de pessoas que eu não falo há séculos que me mandam algo no Facebook por pura consideração. Não preciso da piedade de ninguém. Não preciso que você venha na minha festa só porque acha que ninguém vai vir. Não preciso que fale comigo só porque acha que ninguém vai falar. Não, eu não sou assim tão independente. Não sou assim tão forte. Já passei por muita gente e pensei "como eu queria ser popular como ela". E depois me desfiz desse pensamento. Aquela pessoa com 300 amigos pode não ser tão feliz quanto eu sou com os meus amigos que conto nos dedos, que eu sei que vão estar comigo quando eu precisar. Você precisa de muita coragem pra fazer só poucos amigos. Ter 300 conhecidos é muito fácil. É muito fácil ter uma festa do pijama. É muito fácil acordar 5 horas da manhã pra fazer maquiagem, difícil é sair na rua de cara lavada. É muito fácil ser tudo aquilo que as pessoas querem que você seja, sorrir o tempo todo, responder coisas engraçadas e planejadas. Quer saber o que é difícil? Difícil é remar contra a maré. É quando todo mundo diz que você tem que ser popular, se vestir bonitinho, se comportar como uma dama e toda aquela baboseira de gente com 300-conhecidos-e-nenhum-amigo e apesar de tudo, você levanta e fala "E se eu não quiser ser assim? E se eu quiser falar sobre Harry Potter? E se eu quiser usar roupas maiores do que eu? E se eu quiser sair na rua sem estar maquiada? E se eu quiser correr e gritar e assistir filmes infantis da Disney? O que tem de errado nisso? Sou eu, afinal." Só digo que os meus amigos de contar no dedo que provavelmente são aberrações - em qualquer lugar do mundo - são melhores que tantas pessoas por aí que tem que ir na igreja todo domingo e vivendo uma vida perfeita. Eu não sou infeliz. Eu sou feliz ao extremo, tanta gente já me disse que não conhece ninguém mais feliz do que eu. Só que eu sou feliz assim, entende? Eu sou feliz lendo e assistindo Nickelodeon, e saindo de vez em quando pra não fazer nada. Eu não preciso de uma festa gigante, de gente na minha casa 24 horas por dia, de 300 "amigos". Isso é tão conveniente e isso me cansa. É tudo sempre a mesma coisa para aquelas pessoas, todas tão iguais e eu não aguentaria nunca ser igual a ninguém. Eu não aguentaria ter o cabelo igual a alguém, imagina a vida sequer parecida com a de alguém. Eu não sou outra pessoa e eu não seria outra pessoa em nenhum lugar do mundo. Aqui ou na China, ou na Austrália ou debaixo do mar, eu seria eu e isso é só um problema meu. Eu não sou gotinha, eu não sou fácil de lidar. Eu sou complicada, mas eu não vou me descomplicar porque você quer. Vou ser complicada aqui e vou ser complicada na Espanha, por exemplo. E vou gostar de ler na Inglaterra, e vou falar de Harry Potter no Japão e vou assistir Nickelodeon no Canadá. Porque eu sou assim e eu não vou mudar em nenhum lugar do mundo.

Nenhum comentário: