Só para não enlouquecer, eu me convenço de que você não é nada. Só para eu não pirar, me convenço de que foi só coisa da minha cabeça. Pra eu não quebrar tudo, digo a mim mesma que eu vou encontrar alguém. Que ainda não acabou. Que algum dia eu vou ter os lábios de alguém pra procurar todo dia, sem medo nenhum. Sempre foi tudo sobre mãos que tremem, mas um dia eu vou ter mãos enroscadas a outras mãos. Sempre foi tudo sobre domingos deprimentes, mas um dia eu vou ter algo que me acomode. Porque de segunda a sábado em horário comercial eu tenho meus amigos, tenho minha família, tenho minha escola, meus estudos, tenho coisas para ocupar minha mente. Mas a cama vazia no final da noite, no sábado de manhã, no domingo a tarde me atormenta. Me faz querer jogar tudo que eu tenho de quebrável na parede. Me faz querer rasgar meus livros no meio. Mas eu me comporto. Enquanto isso eu quero gritar.
Mas eu não grito.
Não de verdade.
Não o que eu quero gritar.
Mas quem sabe um dia, eu não vou mais querer gritar. Não desse jeito. Não.
Quem sabe um dia.
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