sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

O problema realmente não é você.

Não é você. De verdade. Você tem milhares de defeitos, você me deixa puta da vida, você me deixa falando sozinha uma hora da manhã e com vontade de socar sua cara, mas o problema não é você. O problema sou eu. Eu mesma. Eu que não dou sorte. Eu que tenho dedo podre. Eu que tenho aqueles problemas bestas e grandes de relacionamentos. Vai ver é pra ser assim. Porque caras mais velhos só querem me comer e caras mais novos me dão nos nervos de tão bobinhos que são e os musculosos são muito egocêntricos e os magrelos não dão conta do recado. Os librianos são muito chatos (e eles geralmente são mesmo) e os piscianos me deixam toda apaixonada. Os altos não conseguem me beijar, os baixinhos não me deixam usar salto, os das exatas não tem emoção e os de humanas têm até de mais, o nerd é um mosca morta, o publicitário tá sempre ocupado, os ateus fazem e contam e os religiosos nem fazem. Então o problema tem que ser eu. O problema tem que ser a minha falta de vontade de tomar um banho para sair com um cara, tem que ser o meu lacre, tem que ser a minha idade e o meu comportamento em público. Tem que ser as minhas roupas, o meu beijo, a minha condição financeira - seja lá o que isso significa -, tem que ser alguma coisa. O problema tem que ser que no primeiro dia eu nem ligo, no segundo eu já estou apaixonada, no terceiro eu não quero ouvir seu nome e no quarto você me derrete de novo. Tem que ser que de vez em quando eu caio na gandaia com o coração na mão para ninguém roubá-lo de quem ele realmente pertence e tem vezes que eu vou pro rolê sem coração mesmo. O problema com certeza é a minha inteligência - quer isso signifique que ela é muito ou que ela não é nada - e como eu não cuido bem dos meus cabelos lisos e sobre como eu como pudim até desmaiar para depois malhar até desmaiar. Deve ser também o meu feminismo, a minha vulgaridade, o meu gosto para filmes e sobre como eu tenho um roupão do Harry Potter. Deve ser um monte de coisas. Deve ser tudo. Deve ser que eu consigo ser alguém da cabeça aos pés, deve ser porque toda essa minha coragem acaba deixando você sem coragem alguma.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

O pior nem é isso.

O pior não é saber tudo que eu sei. Não é o fato de que estou aqui, sozinha, suada, voltando de uma tentativa idiota de me distrair na academia e prestes a chorar enquanto eu ouço músicas tristes e você provavelmente está feliz, ou com alguém, ou realizado, ou qualquer uma dessas coisas que eu não estou. Nem é que até ontem eu tava feliz, sorrindo e saltitando e hoje eu já acho que deve ter algo de muito errado comigo. Também não tem nada a ver com o fato de que, mesmo implorando muito para que eu não o fizesse, eu entrei no seu perfil e desejei só um pouquinho que você estivesse que nem eu. E mesmo eu relendo várias vezes a mesma coisa boba só para ver se eu desacredito um pouco no que eu sei e mesmo criando um monte de histórias na minha cabeça para achar um final alternativo pra isso (e esquecendo que isso aqui não é uma das histórias que eu escrevo), nada disso é o pior. Não. Isso tudo é fichinha. Eu aguento. Eu sofro, choro, me esperneio. Brigo comigo mesma por ter me deixado acreditar de novo, mas eu aguento. Eu aguento a bronca, as lágrimas, a dor no coração, o grito que nunca sai, por mais alto que eu fale. O pior mesmo é saber que se você me chamar agora, para qualquer coisa, para qualquer lugar, eu sei que eu vou dizer sim. Eu sei que eu vou sair correndo pro banheiro e ficar tão linda quanto eu puder. Sei que se você me mandar uma mensagem, eu vou responder - e eu nem vou demorar como você demora. Esse é o pior. Quando você me chamar no facebook - e cedo ou tarde você vai - eu não vou dizer "não posso falar agora", como eu quero muito falar, só para você saber um pouco como eu me sinto: eu vou responder, eu vou ficar esperando qualquer sinal seu, eu vou passar minutos de desespero tentando descobrir o que eu respondo. Se você voltar a falar todas aquelas coisas bonitinhas - que parecem um bando de mentirinhas mal terminadas agora - eu sei que eu vou acreditar em todas elas de novo. Eu vou me dizer que seria muita maldade você estar mentindo sobre isso, e como você é todo legal e fofo e inteligente, não pode ser mentira.  O pior é que eu sei - eu SEI - que é tudo jogo e que você, mais do que legal e fofo e inteligente, você é esperto e eu sou uma boba, uma boba com um coração bobo e que tá louca por qualquer migalha de esperança que você vai jogar para ela.