Mas você vai lembrar de mim. Quando estiver frio e o seu
nariz estiver gelado e não tiver ninguém para te falar para colocar uma meia.
Ou quando não repararem que você tira os óculos para comer e para beijar. Ou
quando te chamarem por aquele apelido que só eu te chamo para fazer graça e te
deixar irritado e te fazer rir ao mesmo tempo. Você vai lembrar de mim quando
Orgulho e Preconceito passar na TV e você não vai querer assistir porque você
achou um saco e porque vai te doer um pouco de tanto que eu queria uma filha
chamada Elizabeth. Você vai lembrar de mim quando sentar na frente do Bradesco
numa sexta-feira à noite e pensar que eu também podia estar ali, para rir um
pouco contigo. Vai sentir isso quando não tiver quem espere o seu ônibus
chegar, ou que te espere depois do RPE e decida assistir uma aula à noite com
você só para a gente passar mais tempo juntos. Ou quando for aniversário da sua
mãe e ninguém se oferecer para acordar mais cedo só para te acordar para ter
certeza que você vai conseguir fazer uma surpresa para ela. Vai lembrar de mim
– e talvez isso te alivie um pouco – quando sair com uma garota e ela não
quiser rachar a conta como eu sempre quis. Vai lembrar de mim um milhão de
vezes. Vai lembrar que eu saia em todas as aulas que podia pra assistir uma
aula com você. Duvido que ache quem faça o que eu fiz. Quem te dê uma bronca
mandando que você leia a teoria, porque você é menino de exatas e eu sou garota
de humanas que grita todas as respostas na aula do Potinho. Você vai lembrar de
mim todas as vezes que a garota em quem você está dando em cima não souber
tirar sua dúvida naquela questão de história. Quando você passar na frente da
ECA, quando ouvir falar de feminismo, quando passar Harry Potter na TV, você
vai lembrar de mim. Não digo que vai sentir minha falta, mas vai lembrar de
mim. Pelo menos eu espero que você lembre de mim, porque depois de tudo, eu não
aguentaria ainda ser esquecida.
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