Carta para você,
Eu achava que com o tempo ia deixar de ser só sexo. Que a gente ia se entender e que você ia perceber o quanto gostava de mim. Mas isso nunca aconteceu. Seus finais de semana eram de outra e eu passava eles inteiros esperando por você. Torcendo para acabar aquilo. E aconteceu. Mas nada mudou. Você achou outra garota para ser madura com você e falar de coisas de gente adulta e ver filmes desses que você gosta e que eu acho um saco e que a gente nunca viu porque não teve tempo.
Pra falar a verdade, teve coisas que mudaram sim: Eu parei de te esperar. Faço um monte de coisas, me encho de tarefa, ando com outros caras.
Não esqueci você, mas chego bem perto todos os dias.
O que acontece é que me dói nunca ter feito coisas de casalzinho com você. Na época eu achei que não fez falta, mas agora, olhando para trás, eu imagino que fez sim, é meio difícil admitir.
Mas se eu for completamente sincera, nesse momento eu não quero mais essas coisas todas que você faz com elas. Eu me culpei bastante quando a gente terminou. Achei que era porque eu não era
bonita
inteligente
engraçada
ou até
madura o suficiente.
E levei muito tapa na cara e puxão de orelha por achar isso de mim mesma.
A única coisa que eu não sou o suficiente
é confiante.
(ainda)
Breath
domingo, 10 de maio de 2015
quarta-feira, 5 de novembro de 2014
PS
Não sei se é bom ou ruim dizer que eu não sinto mais nada. Acho que é um pouco de mentira também porque às vezes eu sinto, quando você não responde, quando você responde mais ou menos, quando eu posto uma foto linda e todo mundo curte, menos você. Mas de resto não sinto, não sofro, não choro. Não faço nada. Na verdade, pelo contrário. Faço um monte de coisa. Porque você parou de falar, mas o mundo continua girando. E eu continuo tendo que estudar alemão e semana que vem eu tenho trabalho pra entregar, alguém tem que colocar comida pros gatos e de tarde eu tenho que ir pra rádio. Ai só vou lembrar que você não respondeu quando eu estiver deitada, depois de chegar em casa quase meia noite. E aí eu vou sofrer um pouco, admito. Mas não dá tempo de chorar. Quando percebi já tava dormindo. E de manhã eu acordo e vou malhar. Me olho no espalho e penso que afinal é você que está perdendo essa minha bunda - que você já disse gostar - que eu esculpi com tanto sacrifício na inclinação 15 da esteira e comendo mingau de aveia sem açúcar. Voltando pra casa, passo na frente daquele hotel fuleiro disfarçado onde a gente passou um pernoite, dividindo garrafa de água, gozando e brigando - entre risadas - pela estação de rádio. Falando assim, a gente até parece um casal. Mas no dia do seu aniversário eu tava numa festa de faculdade e nela eu beijei 13 caras. Só lembrei de você quando esbarrei naquela sua amiga divertida e pensei "O que ela tá fazendo aqui? Hoje é aniversário dele" E você só anda de mão dada comigo depois que a gente transa. Eu acho isso um absurdo, mas também não pego na sua mão porque não quero que você ache que eu ligo. Porque eu não ligo.
Ps. Ligo sim.
Ps. Ligo sim.
terça-feira, 31 de dezembro de 2013
Dói em mim também.
Olha, eu sei que quando a gente se vê, eu não fico deitada de conchinha depois do sexo esperando um carinho seu e que quando eu te dou oi, eu não te cumprimento com um selinho e que reluto em segurar sua mão quando a gente sai na rua. Eu sei que eu não fico perguntando da sua família, nem pego sua cachorra no colo como se ela fosse minha e que não choro no seu ombro quando coisas ruins acontecem na minha vida. Eu sei, me desculpa. Mas quando você me dá tchau na hora que tá me levando no metrô, eu quero te abraçar pra sempre, só que eu não posso te dizer isso, entende? É triste, é horrível, mas tem um motivo pra eu me levantar e pedir para ir estudar toda vez que você implora pra eu ficar sentada com você no sofá, pra eu não querer ir no cinema com você, pra eu não te chamar pra vir aqui pra casa. Acredite agora quando eu digo que eu adoraria passar a tarde de blusão do seu lado com você me abraçando na sua cama, mas tudo em mim me manda colocar o shorts e ir embora. Tudo em mim ferve de raiva quando você senta do meu lado na hora que eu to estudando e me faz abrir aquele sorriso enorme. Dói em cada nervo do meu corpo quando eu tenho que te falar de outros caras para soar desligada dessa coisa toda de amor. Não, não é joguinho, eu juro, eu preferia mil vezes ser completamente sincera com você e dizer tudo que explode aqui na minha alma. Mas eu já sei o que acontece depois disso.
sábado, 23 de novembro de 2013
Vadia romântica que nunca fez amor
Tenho passado muito tempo com raiva de você ultimamente. Mas não é aquela raiva que eu tive quando você terminou comigo ou quando te vi guardando lugar pra outra. Não, é aquela raiva que eu sinto toda vez que eu to conversando com um cara tão legal, que eu até poderia gostar dele. E aí eu lembro que gostei de você, gostei tanto e fui tão feliz. Pra você quebrar meu coração. E você não pode me culpar se eu tiver um medo fodido de gostar de alguém assim de novo. De ficar tão vulnerável. Eu desconfio de todas as palavras, de todos os convites pra sair, às vezes eu penso que seria muito melhor não gostar de ninguém. Mas eu sou uma vadia romântica que nunca fez amor. Que ta morta de medo de se apaixonar de novo porque não quer passar mais uma semana inteira chorando e implorando de volta aquele amor todo. Eu nunca mais guardei mensagens, eu nunca mais reli conversas, ou pedi fotos. De ninguém. Dessa vez foi de verdade. Eu desisti de gostar de alguém e ainda me dói toda vez que eu percebo isso. Sempre que algum pseudo-relacionamento meu acabava mal, eu decidia nunca mais gostar de ninguém. Mas eu sempre acabava gostando, pensando que esse cara era diferente ou o que fosse. Mas dessa vez eu que to diferente. Eu que não acredito em mais ninguém. Eu que saio com caras e faço o que eu quiser e vou pra casa sozinha sem checar o celular esperando uma mensagem. Eu não crio mais esperança, não sonho acordada, não espero por uma luz no fim do túnel me pedindo para continuar com esperança que o cara certo vai aparecer. Já cansei desse papo-furado de toda comédia-romântica. Se eu puder escolher, prefiro um filme de terror. Prefiro um pornô, que quando acaba o sexo, cada um vai pro seu canto, porque essa coisa de ficar abraçadinho e dormir junto já não serve mais pra mim. Eu não preciso mais da piedade dos caras que me vêem chorando por um amor perdido e querem me abraçar e ter dó de mim. Eu odeio quando as pessoas têm dó de mim, você sabe. Eu odeio quando meu coração se enche de ar. Mas eu odeio ainda mais quando ele se enche de uma esperança que eu vou ter que jogar fora embrulhada em lágrimas.
quinta-feira, 31 de outubro de 2013
E se eu me interessar por alguém?
Quando você sumia, a única coisa em que eu conseguia pensar era que eu ia encontrar um outro alguém. Eu ia ser feliz com um outro alguém e isso ia te deixar doidinho de inveja. E eu encontrei outros alguéns e eu fui feliz com outros alguéns e você ficou ai se descabelando. E se descabela até hoje, ou pelo menos é o que você me diz. E eu queria muito te perdoar e ficar tudo bem e falar pra você seguir com a sua vida da maneira que eu segui com a minha, mas eu não sou boazinha assim. Desculpa, eu não quero que você siga com a sua vida depois de todas as noites que eu passei sem dormir enquanto você ficava bêbado com as meninas do seu trabalho. Depois dos dias que eu chorei na sala do cursinho, recebendo uma mensagem sua negando ir me vir; ou quando te chamei pra um role meu e você não quis e nem disse o motivo, porque você nunca saia comigo, eu te fazia passar vergonha; quando era meu aniversário e eu não recebi nenhuma noticiazinha sua, porque você dirigiu a noite toda para ver uma menina em outra cidade. Então eu realmente não me arrependo de não atender o telefone, de me negar a ir ao seu apartamento, de não responder mais quando você me chama. Acho que só assim pra você aprender a lição. E pode continuar ligando, eu não passo mais madrugadas com insônia esperando meu telefone tocar.
quinta-feira, 26 de setembro de 2013
Eu quis gostar de você.
Eu jurei que não ia gostar mais de ninguém. E não vou mesmo. Eu até quis, um pouquinho, me apaixonar por você, quando te vi ali como alguém que eu procuraria sempre, usando aquela blusa pela qual me apaixonei. Mas só pela blusa, não por você. Então, eu decidi que não ia acreditar em nada do que você me diz. Quando te conheci, meu coração levantou um pouco do fundo do poço pra ver se não farejava nada e o único cheiro que ele sentiu foi o das mesmas mentiras convenientes de sempre. Eu apago as suas mensagens pouco depois de você mandar, porque eu decidi que não vou mais ficar relendo e guardando mensagens bonitas no fundo da minha caixa de entrada. Eu até quis gostar de você um pouquinho, mas eu não quis deitar no seu ombro e ouvir seu coração. Eu deitei no seu ombro e eu ouvi seu coração, mesmo não querendo e eu não senti nada. Até fiquei um pouco feliz, vai. Mas não comecei a gostar de você. Me deu um medo danado, quando vesti aquela blusa, de gostar de você. Fiquei com tanto medo de gostar de você algumas vezes. Quando passei alguns dias sem notícia sua, quando eu cochilei com você ali, fazendo carinho no meu braço, quando eu quis saber coisas de dentro de você. Mas não gostei. Que alívio. Eu não posso mais gostar de ninguém. Dei inúmeras chances ao amor e ele só riu de mim. Eu só quero me divertir, não quero gostar de você. Porque gostar dos outros é pra gente que tem tempo, pra gente que tem coragem suficiente pra depois seguir em frente, é coisa pra gente que sabe esquecer. Eu não, então eu não gosto de você. Eu não te conto isso porque sei que você não gosta de mim também. E eu só escrevo isso porque, apesar de não gostar de você, e sair por ai me divertindo e fazer sexo sem sentimento e beber todas as cervejas que meu bolso permitir na sexta-feira à noite que não tem simulado, eu ainda quero um dia voltar a gostar de alguém.
sábado, 14 de setembro de 2013
Nos dê cinco anos
Eu já não fico mais triste quando penso em você. Com
saudades, sim, mas não triste. Eu quase me conformei. Mas não paro de pensar no
que poderíamos ter sido. No que eu esperava que tivéssemos sido. Não paro de
pensar que daqui uns 5 anos você vai começar a apresentar sua possível namorada
para sua família falando que ela é sua noiva. Você vai se casar novinho
enquanto eu ainda vou sair para bares e baladas e shows porque eu quero ser
nova para sempre. Você vai olhar para ela do mesmo jeito que olhava para mim,
como se ela fosse a garota mais bonita do mundo e ela vai amar ou vai odiar
enquanto eu sempre fiquei no meio dos dois. Eu provavelmente estarei com alguém
que conheci há uns dois meses, porque eu tenho essa incrível habilidade de
fazer os meus romances não durarem, como se eles fossem filmes de duas horas.
Estaremos acordados numa mesma madrugada e enquanto você está estudando para
sua prova de cálculo ou física, eu vou estar num plantão para o jornal sair
fresquinho no dia seguinte. Em cinco anos não terá nada que nos ligue. Não
estaremos mais estudando no mesmo lugar, já terei jogado fora todos os bilhetes
que você me deixou que por enquanto eu guardo no fundo de um gaveta e releio
toda vez que sinto muito a sua falta. Em 2018, eu não terei mais 18 anos, eu
não poderei mais ser a garota ingênua que eu me deixei ser esse tempo todo. E
eu espero que você não seja mais esse garoto que ignora os problemas achando
que isso poupa as pessoas de algum sofrimento. Eu espero nem lembrar mais de
você em cinco anos, embora eu ache difícil esquecer o primeiro cara que pegou
na minha mão e me olhou como se gostasse de mim. Mas eu espero apagar você com
outros caras que pegam na minha mão e me olham como se gostassem de mim. Mas
nos dê cinco anos, por favor, para eu não pensar mais em você nenhum pouco. Pra
você ser só uma lembrancinha de nada no fundo da minha mente. Me dê cinco anos
para que eu tire sarro de mim mesma por ter colocado tanta fé em algo tão
louco. Para que eu seja menos inconsequente, para que eu não me entregue de
primeira, coração e alma no lugar, os pés no chão, a cabeça onde tiver que
estar. Vou te dar cinco anos também, esperando que o tempo que passamos juntos tenha
feito algum bem pra você. Nos dê cinco anos só para que a gente possa se
cumprimentar um dia andando na rua, sem mágoas, como os adultos que seremos. E indiferentes
também.
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