quarta-feira, 5 de novembro de 2014

PS

Não sei se é bom ou ruim dizer que eu não sinto mais nada. Acho que é um pouco de mentira também porque às vezes eu sinto, quando você não responde, quando você responde mais ou menos, quando eu posto uma foto linda e todo mundo curte, menos você. Mas de resto não sinto, não sofro, não choro. Não faço nada. Na verdade, pelo contrário. Faço um monte de coisa. Porque você parou de falar, mas o mundo continua girando. E eu continuo tendo que estudar alemão e semana que vem eu tenho trabalho pra entregar, alguém tem que colocar comida pros gatos e de tarde eu tenho que ir pra rádio. Ai só vou lembrar que você não respondeu quando eu estiver deitada, depois de chegar em casa quase meia noite. E aí eu vou sofrer um pouco, admito. Mas não dá tempo de chorar. Quando percebi já tava dormindo. E de manhã eu acordo e vou malhar. Me olho no espalho e penso que afinal é você que está perdendo essa minha bunda - que você já disse gostar - que eu esculpi com tanto sacrifício na inclinação 15 da esteira e comendo mingau de aveia sem açúcar. Voltando pra casa, passo na frente daquele hotel fuleiro disfarçado onde a gente passou um pernoite, dividindo garrafa de água, gozando e brigando - entre risadas - pela estação de rádio. Falando assim, a gente até parece um casal. Mas no dia do seu aniversário eu tava numa festa de faculdade e nela eu beijei 13 caras. Só lembrei de você quando esbarrei naquela sua amiga divertida e pensei "O que ela tá fazendo aqui? Hoje é aniversário dele" E você só anda de mão dada comigo depois que a gente transa. Eu acho isso um absurdo, mas também não pego na sua mão porque não quero que você ache que eu ligo. Porque eu não ligo.


Ps. Ligo sim.

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