quinta-feira, 15 de novembro de 2012
Novela Mexicana
Eu percebi outro dia que sou um tantão de drama. Um monte, enorme e incontrolável do mais puro drama. Eu choro mesmo. E fico brava mesmo. E pareço uma novela mexicana de tão desapontada que fico com os erros cotidianos dos outros que eu acho o maior escândalo do universo. E que quebram o meu coração em pedaços tão pequenos que eu preciso ficar algumas horas catando pra colar, antes de desculpar alguém. E essa pessoa nem fica sabendo que quebrou o meu coração e que precisou ser desculpada. E no fundo eu não conto pra elas porque eu sei que é tudo coisa da minha cabeça, de gente que fica brava com coisas que nem existem. Ou coisas que precisam ser perdoadas, porque do contrário, a gente não segue com a nossa vida. É muito drama, muito orgulho, muitas palavras entaladas na garganta para uma pessoa só. Não sei como eu aguento todas essas lágrimas inventadas dentro de mim que me dão vontade de desistir do mundo e ficar lendo o resto da vida só por causa de um errinho de nada que não mudou quase nada na minha vida. Porque eu queria que as pessoas fossem perfeitas. Eu espero tanto delas que esqueço que elas são humanas. E às vezes elas são egoístas. Mas às vezes a egoísta sou eu. E quando eu choro e esperneio e fico brava por causa de algo que elas não puderam controlar ou porque elas quiseram olhar para o próprio umbigo alguma vez, sou eu que estou sendo egoísta. E é triste o tanto de frequência com a qual eu faço isso. Mas eu não consigo resistir a essa minha vontade incontrolável de querer que todo mundo me ame o tempo todo como eles fazem com os outros. Como eu queria que me chamassem para subir. Como eu queria que me chamassem para a carona. Como eu queria que me chamassem para comer pastel na feira ali do lado. Tudo. E quando não chama, eu fico desapontadíssima. Eu fico triste, porque não me escolheram. Porque não me quiseram. Porque não me esperaram. Eu sempre fico. Eu fico com uma vontade imensa de chorar porque aquele final de semana foi de outra pessoa, não meu. E a segunda, a terça, a quarta, a quinta e a sexta também vão ser de outras pessoas; não minhas. E esse é o meu maior drama. Mas às vezes não é drama: é dor mesmo. Essa dor que vai e vem. Porque às vezes eu esqueço. Mas quando eu lembro, me atinge tão forte que eu não quero mais ter ninguém. Quero ficar só eu, minha dor e o meu drama para eu me ferir sozinha. E nem sofrer sozinha me é permitido. Ninguém tá afim de saber da minha alegria. Ninguém pergunta porque eu to tão feliz, tão contenta, tão pulante, porque eu não consigo calar a boca. Só me perguntam, só se interessam quando eu to ali sozinha, só eu e a minha dor. E o meu drama. Ai eles perguntam porque eu choro e eu nunca vou saber porque eu respondo já que toda vez que o faço, minha resposta nunca é o suficiente, como se eles tivessem doendo com a minha dor para saber se aquilo é o suficiente para estar chorando. É fácil dizer que o choro do outro é bobo, quando a gente tá feliz. Também é fácil dizer que o choro do outro não é tão importante quanto o nosso choro. Por isso que meu drama é tão importante: ele não é drama. É dor. Dor que ninguém mais entende.
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