quarta-feira, 27 de março de 2013

manhãs de coração quebrado

Às vezes eu consigo ser feliz, sabe? Não, ser não. Ficar. Porque eu sou feliz, sou feliz o tempo todo, ser feliz é permanente, não é um estado de espírito. Mas assim como eu to, jogada e patética, colhendo migalhas de conversas antigas para me animar, eu só consigo ser feliz às vezes. Eu estou com o coração quebrado de manhã, quando acordo e tenho que me arrumar, tentando ficar interessante para alguém interessante se interessar por mim. Mas mais ninguém interessante surge. Todo mundo agora parece tão pouco quando eu comparo com você. E ai eu sou feliz quando encontro com a minha amiga no metrô e depois sou feliz nas aulas engraçadas e quando estou discutindo política com o meu pai. Ai chego em casa e fico triste porque estou sozinha e você não vai me mandar uma mensagem ou me chamar no chat do face. Você não vai, mesmo que eu queira me convencer que você vai, toda vez que te vejo on-line. Então eu apaguei todas as suas mensagens (até aquelas que não dizem nada demais e que eu guardava com carinho no fundo da minha caixa de entrada) porque talvez assim eu pudesse ficar menos triste e esquecer de você. Como sou ingênua pensando que isso muda qualquer coisa. Eu apaguei o seu número, mas isso também não muda nada. Achei que seria melhor para mim, achei que eu pudesse te ligar sem querer qualquer dia, então decidi melhor apagar. Mas agora eu sinto falta do seu nome na minha agenda. Tive que apagar o número sem nome que ficou nas minhas chamadas recebidas também. Quando eu entrei lá, vi todas as chamadas que você fez para mim. E ai lembrei das conversas que aconteceram uma hora da manhã, quando eu estava tentando bancar a brava e a durona e você me mandava largar a pose de malandra, porque eu sou boazinha. Acho que você queria dizer bobinha. Então eu abro a minha gaveta e encontro lá, intocada, a calcinha bonitinha e cor-de-rosa que eu comprei pensando no dia que você disse que vinha aqui e depois me deu um bolo. E também tem todas as fotos que eu posto no facebook, toda arrumada, de shortinhos e sorrindo um sorriso que já nem é mais meu, na esperança que você veja o quanto eu estou linda e feliz e se arrependa. Boba. É isso que me mantém em pé. Toda vez que eu estou triste demais para estudar, toda vez que eu quero tacar os livros de matemática fora porque eu não aguento toda essa raiva que eu sinto de você e desses números, eu penso: não, só por causa de você, eu vou ficar inteligente e entrar numa universidade fodona (porque eu queria que você tivesse orgulho de mim, se fôssemos qualquer coisa). Toda vez que eu quero comer aquele último pedaço de chocolate, mesmo sem estar com fome, pra preencher esse vazio que você deixou eu penso: não, eu vou ser gostosa e passar na sua frente daqui a dois meses tão linda que você vai se arrepender, mesmo que não queira. Quando eu quero te ligar, ou ir até a sua casa acabar com as minhas cordas vocais de tanto gritar o quão brava eu estou por causa de tudo, eu acho melhor não, porque ai você vai saber que eu estou triste e você tem que achar que eu to feliz. Mesmo que eu não esteja. Mesmo que eu acorde todos os dias com o coração quebrado. E aqui fico eu, esperando que alguém quebre o seu também, do jeitinho que o meu foi quebrado, com as mesmas lágrimas e com os mesmos pensamentos, mesmo que eu saiba que você nunca vai sentir tudo aquilo que eu senti.

sábado, 23 de março de 2013

tudo e mais um pouco

Eu te esqueceria mais fácil se você não estivesse em todos os detalhes que eu vejo no mundo. Você é a placa da faculdade que eu vejo quando saio do metrô e você é o alarme do anticoncepcional que toca às 9h30. Você é a luz que fica piscando na minha sala quando está escuro e eu estou sentada no sofá sem saber se valeu a pena. Você está no último episódio de LOST que eu assisti e você é aquela blusa que toda vez que eu uso lembro do seu elogio, meu cabelo quando ele está solto e é a explicação do meu professor sobre 'desilusão' e 'indução' e qualquer outra palavra-chave que deixa meu coração pequenininho. É a contagem regressiva para o meu aniversário de 18 anos que eu pendurei no meu mural. Você é todos os meus bichinhos de pelúcia olhando para mim o dia todo lembrando que só tenho 17 anos. Todo dia eu te vejo em um monte de coisas que você nem sabe. Te vejo até nos outros. Toda vez que alguém fala "eu te amo" ou "se cuida" eu fico feliz e triste ao mesmo tempo porque é sempre bom ouvir essas coisas e mesmo assim elas me lembram de você. Você é o filme que assistimos juntos e que às vezes eu vejo passando em um canal aleatório, você é aquela lanchonete perto de onde eu estudo cujo nome lembra o seu, você é a música triste e que faz todo o sentido que você me mostrou dizendo que tava apaixonado por mim, você é um diabinho do meu lado esquerdo do ombro.
Você é todas as músicas no meu celular, todas as fotos, todas as atualizações do facebook e todas as lágrimas que eventualmente escapam de mim quando eu tento dormir sem ter falado com você.

quinta-feira, 21 de março de 2013

coisas bonitas e tristes.

Nunca decidi se foi bom ou ruim gostar de você. Fui avisada desde o comecinho que não viria coisa boa dessa enrolação nossa e mesmo assim, mergulhei de cabeça. Por quê? Por que eu tentei tanto apesar de saber que isso ia acabar mal? Simples: pelo momento. Porque ser feliz do jeito que eu fui aqueles minutos, mesmo que poucos, não tiveram preço e mesmo assim eu tive que pagar por esses instantes de felicidade agora, com juros bem altos e com as minhas lágrimas como moeda. Estou pagando com a dor no meu coração, com a falta de interesse nos outros caras porque procuro em todos eles algo que só vou achar em você, com a urgência de te ligar que eu tenho quando acordo de madrugada morrendo de saudades e precisando de você. Todo mundo fala que você não merece, que eu sou tão melhor que isso. Como discordar? Sou mesmo. Você não merece nem uma lágrima e nem a raiva que eu sinto toda vez que vejo seu nome junto do dela. O problema é que eu não ligo, sabe? Porque você pode não merecer nada e mesmo assim eu vou querer que você tenha tudo. Todo mundo diz que a culpa é sua e mesmo assim eu não consigo te culpar. Você me manipulou, me extorquiu, me usou e me jogou fora e mesmo assim eu assumo a culpa se isso for me fazer ficar um pouco menos brava com você porque eu não gosto de ficar brava com alguém que já me fez tão bem. E você nem sabe. Mas eu chorei hoje no meio da aula de biologia quando o professor fez uma piada que saiu pela culatra que falava sobre dizer eu te amo e conseguir o que quer. Ai eu escrevi "EU TE AMO" na minha mão esquerda e passei o resto da tarde lembrando de você. E não era para eu esquecer? Mesmo assim não consegui apagar, desculpa. Até agora. Fui até o banheiro e esfreguei minha mão até o recado sair, para parar de me torturar desse jeito. Não deu certo, agora o ardido que ficou na minha mão aonde estava a mensagem me lembra de você e percebi que você é isso. Você é o número deletado da minha agenda que eu quero ligar, você é o perfil no facebook que eu entro pra me chatear, você é a última página do meu diário que eu escrevi com o sorriso maior do mundo. E agora você também é aquele pontinho que aparece na minha cabeça toda vez que eu alguém fala de coisas bonitas e tristes.

terça-feira, 19 de março de 2013

coração de pedra.

O pior é que não acabou. Hoje eu tirei o dia pra chorar e espernear e gritar junto das músicas tristes que eu andei ouvindo, mas a minha vida não parou. Nada está acabado. Amanhã eu ainda vou ter que acordar cinco horas da manhã, me arrumar como se meu coração não estivesse em pedaços, pegar o ônibus como se eu não tivesse chorado a noite toda, assistir seis aulas sozinha e fingindo estar completa. Ai vou almoçar correndo e passar a tarde toda na sala de estudos fingindo que eu não ligo e que meu único problema agora é passar ou não na USP. Mas não é verdade, porque meu coração vai estar doendo enquanto eu faço os exercícios de física e eu vou querer chorar na mesa, em cima do ombro do plantonista de matemática e nem uma boa aula de história vai melhorar o meu humor, eu sinto muito. Se eu for ler os textos cheios de lirismo de português, vou sofrer que nem uma condenada, mas que droga. Todo mundo que me conhece lá vai ficar me perguntando o motivo de meus olhos estarem tão pequenininhos e eu não vou querer explicar. E eu sei que aquele dia tudo vai ser você. Droga duplo. Enquanto isso, enquanto eu pego ônibus, metrô, corro que nem doida pra comprar um cafezinho e me viro com os meus trocados pra ficar sem dormir nas aulas chatas e me desdobro pra aprender alguma coisa que vá cair no vestibular, você nem liga e nem presta atenção. Eu não sou nada, entende? Se tratando de estudar, você pra mim é física, química, a bosta do ciclo trigonométrico que eu não entendo por mais tempo que eu passe estudando. Mas pra você eu sou 2+2. E espero que você saiba do meu coração dolorido e o seu doa um pouco por isso. Não por mim, mas se você se doer um pouquinho, se você sofrer um pouquinho porque eu estou chorando que nem boba, talvez, só talvez, o seu coração não seja tão de pedra assim.
Hoje acordei lá pelas tantas da madrugada com uma puta saudades de você. Foi horrível, meu coração tava pequenininho. Precisei tanto de você. Eu quis chorar.
E mesmo assim eu não chorei.
Passei a manhã no cursinho. Foi horrível, meu coração tava apertadinho. Qualquer coisa que me diziam já me lembravam de você. Quis falar de você para todo mundo.
Mesmo assim eu não falei.
Passei a tarde com alguém que te conhecia e esperei por notícias suas. Uma informação boba bastaria, mas eu precisava tanto. Quis perguntar de você para ele.
Mas não perguntei.
Não fiz nada disso. Porque quando eu tiver certeza - e eu vou ter, mesmo que eu não goste - eu vou poder fazer tudo isso.
Agora eu não posso.