terça-feira, 19 de março de 2013

coração de pedra.

O pior é que não acabou. Hoje eu tirei o dia pra chorar e espernear e gritar junto das músicas tristes que eu andei ouvindo, mas a minha vida não parou. Nada está acabado. Amanhã eu ainda vou ter que acordar cinco horas da manhã, me arrumar como se meu coração não estivesse em pedaços, pegar o ônibus como se eu não tivesse chorado a noite toda, assistir seis aulas sozinha e fingindo estar completa. Ai vou almoçar correndo e passar a tarde toda na sala de estudos fingindo que eu não ligo e que meu único problema agora é passar ou não na USP. Mas não é verdade, porque meu coração vai estar doendo enquanto eu faço os exercícios de física e eu vou querer chorar na mesa, em cima do ombro do plantonista de matemática e nem uma boa aula de história vai melhorar o meu humor, eu sinto muito. Se eu for ler os textos cheios de lirismo de português, vou sofrer que nem uma condenada, mas que droga. Todo mundo que me conhece lá vai ficar me perguntando o motivo de meus olhos estarem tão pequenininhos e eu não vou querer explicar. E eu sei que aquele dia tudo vai ser você. Droga duplo. Enquanto isso, enquanto eu pego ônibus, metrô, corro que nem doida pra comprar um cafezinho e me viro com os meus trocados pra ficar sem dormir nas aulas chatas e me desdobro pra aprender alguma coisa que vá cair no vestibular, você nem liga e nem presta atenção. Eu não sou nada, entende? Se tratando de estudar, você pra mim é física, química, a bosta do ciclo trigonométrico que eu não entendo por mais tempo que eu passe estudando. Mas pra você eu sou 2+2. E espero que você saiba do meu coração dolorido e o seu doa um pouco por isso. Não por mim, mas se você se doer um pouquinho, se você sofrer um pouquinho porque eu estou chorando que nem boba, talvez, só talvez, o seu coração não seja tão de pedra assim.

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