quinta-feira, 15 de novembro de 2012
Novela Mexicana
Eu percebi outro dia que sou um tantão de drama. Um monte, enorme e incontrolável do mais puro drama. Eu choro mesmo. E fico brava mesmo. E pareço uma novela mexicana de tão desapontada que fico com os erros cotidianos dos outros que eu acho o maior escândalo do universo. E que quebram o meu coração em pedaços tão pequenos que eu preciso ficar algumas horas catando pra colar, antes de desculpar alguém. E essa pessoa nem fica sabendo que quebrou o meu coração e que precisou ser desculpada. E no fundo eu não conto pra elas porque eu sei que é tudo coisa da minha cabeça, de gente que fica brava com coisas que nem existem. Ou coisas que precisam ser perdoadas, porque do contrário, a gente não segue com a nossa vida. É muito drama, muito orgulho, muitas palavras entaladas na garganta para uma pessoa só. Não sei como eu aguento todas essas lágrimas inventadas dentro de mim que me dão vontade de desistir do mundo e ficar lendo o resto da vida só por causa de um errinho de nada que não mudou quase nada na minha vida. Porque eu queria que as pessoas fossem perfeitas. Eu espero tanto delas que esqueço que elas são humanas. E às vezes elas são egoístas. Mas às vezes a egoísta sou eu. E quando eu choro e esperneio e fico brava por causa de algo que elas não puderam controlar ou porque elas quiseram olhar para o próprio umbigo alguma vez, sou eu que estou sendo egoísta. E é triste o tanto de frequência com a qual eu faço isso. Mas eu não consigo resistir a essa minha vontade incontrolável de querer que todo mundo me ame o tempo todo como eles fazem com os outros. Como eu queria que me chamassem para subir. Como eu queria que me chamassem para a carona. Como eu queria que me chamassem para comer pastel na feira ali do lado. Tudo. E quando não chama, eu fico desapontadíssima. Eu fico triste, porque não me escolheram. Porque não me quiseram. Porque não me esperaram. Eu sempre fico. Eu fico com uma vontade imensa de chorar porque aquele final de semana foi de outra pessoa, não meu. E a segunda, a terça, a quarta, a quinta e a sexta também vão ser de outras pessoas; não minhas. E esse é o meu maior drama. Mas às vezes não é drama: é dor mesmo. Essa dor que vai e vem. Porque às vezes eu esqueço. Mas quando eu lembro, me atinge tão forte que eu não quero mais ter ninguém. Quero ficar só eu, minha dor e o meu drama para eu me ferir sozinha. E nem sofrer sozinha me é permitido. Ninguém tá afim de saber da minha alegria. Ninguém pergunta porque eu to tão feliz, tão contenta, tão pulante, porque eu não consigo calar a boca. Só me perguntam, só se interessam quando eu to ali sozinha, só eu e a minha dor. E o meu drama. Ai eles perguntam porque eu choro e eu nunca vou saber porque eu respondo já que toda vez que o faço, minha resposta nunca é o suficiente, como se eles tivessem doendo com a minha dor para saber se aquilo é o suficiente para estar chorando. É fácil dizer que o choro do outro é bobo, quando a gente tá feliz. Também é fácil dizer que o choro do outro não é tão importante quanto o nosso choro. Por isso que meu drama é tão importante: ele não é drama. É dor. Dor que ninguém mais entende.
sexta-feira, 19 de outubro de 2012
Amor cor-de-rosa
Nesse último final de ano, na virada de 2011 para 2012, eu
fui cor-de-rosa. Usei cor-de-rosa em tudo que eu julgava possível, da blusa até
a calcinha, sem deixar passar sombra e elástico de cabelo. Tudo pra mendigar um
pouco de amor que tinha sido negado a mim nos últimos 16 anos (de um
companheiro, claro, nunca me faltou amor de família e meus bons amigos sempre
compensaram o fato de serem poucos). Eu estava desesperada. Não sabia mais que
medida eu poderia tomar só para ganhar um tipo de beijo que durasse mais que
uma noite ou algumas horas apressadas no banheiro masculino do colégio. Eu
faria qualquer coisa. Eu passaria a noite escrevendo em papeizinhos o quanto eu
queria – ou talvez o quanto eu precisasse – que você me amasse. Que me amasse
de volta. Eu me vesti de cor-de-rosa não para um, mas para todos os caras para
quem eu escrevi papeizinhos – ou para quem eu dediquei caixas, cartas, textos
na internet e lágrimas escondidas. Eu só precisava que alguém me amasse de
volta. Só uma vez, só por tempo suficiente para eu poder dizer que eu tive um
relacionamento que durasse mais que uns amassos. Mas nunca aconteceu. Apesar
das minhas súplicas. Apesar dos meus desejos. Apesar dos papeizinhos. Mas
quando eu vesti cor-de-rosa naquele ano novo, pela primeira vez – apesar de eu
só ter percebido isso agora – eu fui correspondida no maior amor do mundo. Eu
comecei a amar a mim mesma. E essa "eu mesma" correspondeu ao meu amor. Foi o
melhor relacionamento que eu já tive. Essa ‘eu mesma’ ama os meus defeitos, tem
paciência comigo na maioria das vezes, apesar de às vezes estourar e querer me
estrangular, ela ainda me ama. Ela me consola, ela me abraça, ela me deixa
confiante. Ninguém nunca me amou como ‘eu mesma’ me ama agora.
De todas as suas qualidades, a maior de todas é que ‘eu
mesma’ não deixa com que eu me apaixone por alguém que não vale a pena por
muito tempo. O mais engraçado, que eu não tinha percebido até agora, é que
depois desse ano novo em que eu vesti só cor-de-rosa, eu nunca mais precisei de
papeizinhos ou de desejos quando vejo horas iguais no relógio do celular. Ela
me deixa sonhar, viajar, planejar, mas só por um tempo limitado. Depois ela me
acorda. E eu ouço ‘eu mesma’ como nunca ouvi alguém antes. Ela fala ‘tudo bem,
ele é bonitinho. Mas espera a outra pra ir embora e mal fala com você na hora da
saída.’, ou ‘tá certo, ele é inteligente e legal, mas te chama no facebook ou
ao menos te responde?’, às vezes: ‘um amor, bebê, mas senta com elas e não com você.’
‘Eu sei que você jura que foram fogos de artifício, mas foi
só uma faísca.’, ‘ele não estava olhando para você, estava olhando para menina
do seu lado.’, ‘aperta suas bochechas e te chama de fofa? Na boa, linda, talvez
isso seja bom sinal em outro planeta, aqui ainda não quer dizer nada.’ No
começo é mesmo difícil de ouvir, eu queria mandar ela calar a boca. Agora eu
dou de ombros e penso ‘Talvez, por enquanto, seja melhor eu só amar eu mesma.’
Ela me deixa amar todo mundo, afinal, sou uma romântica
incorrigível, mas me puxa de volta quando começo a me afogar. É isso que eu
mais gosto nela, ela impõe limites que o meu romantismo deixou de lado.
sexta-feira, 14 de setembro de 2012
Sobre caras mais velhos que só querem te comer.
O importante não é a resposta. É a pergunta. Aquele momento, aquelas palavrinhas pequenas seguidas de um ponto de interrogação que fazem você se perguntar qual o verdadeiro interesse daquela pessoa em você. "Você daria pra mim?" Para. Para. Para. Rebobina. Vamos voltar pra aqueles dois segundos atrás que era só eu, deitada no seu peito, enquanto você me fazia um cafuné? Por que você tinha que estragar tudo com essa pergunta? Porque é desse momento em diante que você sabe que independente da resposta, tudo acabou ali. Se você disse sim, ele te comeu e nunca mais te ligou. Se você disse não, você foi embora e ele nunca mais te ligou. E fim. Não tem mais esperança nenhuma, nenhum bate-volta, nenhuma mensagem que vale a pena reler. A história acabou no ponto final das más intenções. Saudade? Pena? Não, não. É raiva mesmo. Raiva pura. Vontade de mandar pra puta-que-pariu. E até hoje não consegui superar o fato de que cai nessa que nem rato cai ainda naquelas ratoeiras ridículas. Porque para mim não foi ridículo. Nem um sequer segundo daqueles beijos que eu achei que eram verdadeiros. Sim, porque foram todos beijos falsos. Beijos molhados de intenções erradas e escondidas enquanto eu estava te entregando o meu beijo mais sincero, junto de todas as minhas palavras. Agora eu já não sei mais o que dizer. Agora eu já acho que perdi debaixo da cama toda a sinceridade que eu ia usar com alguém. Eu não consigo mais. Eu não beijo mais ninguém sinceramente, eu não amo mais ninguém sinceramente. Na verdade, eu não amo mais ninguém. Agora eu só quero amar a mim mesma, porque eu sei que quando eu me machuco, não é por mal. Mas eu tento me entregar. Não vou dizer que é porque eu não consigo mais confiar em ninguém (+blablabla). É que eu não tenho mais paciência mesmo. Eu não tenho mais paciência com caras mais velhos. Nem com os mais novos. Com os inteligentes, com os burros, altos, baixos, de olhos azuis ou da cor do pecado. Eu enxergo más intenções em regatas que mostram os músculos, em livros de física jogados no banco, em um pedido qualquer. Eu tenho preguiça de procurar algum amor dentro de mim pra distribuir. Eu perdi e não sei mais onde procurar. Acho que eu deixei na sua casa e você jogou pela janela. Mas se você achar, me telefona só pra me devolver. Eu também não tenho assunto, eu também não quero mais gastar meu amor com você. Eu só quero meu amor de volta, porque tem gente merecendo e ele está ficando gasto empoeirado por ai. E meu amor é tão bonito - acho que é o amor mais bonito que eu já vi - e não pode ser desperdiçado.
domingo, 15 de julho de 2012
Cheiro de matemática
Você me abraça e é tão bom. Seu abraço tem gosto de vontade de me salvar. Vontade de me fazer feliz. Seu abraço tem forma de proteção. Tem cheiro de tardes de domingo chuvosas e um bom livro velho encontrado em um sebo, mas que ao invés de letras, eu encontro números. Porque mesmo que você seja aquele bom livro velho, mesmo que você seja aquela vontade de ler que me cutuca às quatro horas da manhã em um dia de semana de prova, você não passa de um bando de cálculos. E quem me conhece bem, sabe que eu não sei nada de cálculos. Você é pior que soma e subtração, você é a pura função de segundo grau que eu preciso saber, mas que eu nunca vou usar. Eu queria parar e ler um livro de função de segundo grau, mas só ler o livro não é o suficiente. Você é o tipo de coisa que pede tentativa e erro e que eu me perco na metade do resultado ou que eu erro porque troquei um sinal. Eu queria deitar no seu abraço e só entender o ciclo trigonométrico. Beijar o seu pescoço e descobrir como resolve aquele exercício de logaritmos que eu deixei pra depois porque eu não sabia como fazer. Mas só quem pode resolver você, só quem pode terminar suas contas loucas, só quem pode usar a fórmula certa para aquele exercício confuso daquele dia, que eu não entendi nem o enunciado, é uma pura matemática. E eu não nasci pra fazer matemática. Eu não nasci pra usar fórmulas, eu não nasci pra adicionar, nem subtrai e nem dividir e nem descobrir o cosx². Eu achei que se eu parasse, se eu pensasse muito, se eu lesse o enunciado três mil vezes, se eu soubesse a teoria, eu te resolveria, mas eu não tenho o dom. Então eu não posso decodificar o seu abraço, porque eu não sei nada sobre abraços de gente assim. Se você me pedisse pra ler o seu abraço. Se você me pedisse para escrever sobre seu abraço. Se você me disse para sonhar no seu abraço, eu o faria. Eu juro que o faria sem pensar duas vezes. Porque eu sei tudo sobre esse tipo de abraço e sei tudo sobre o abraço de gente assim. Mas você não me pede isso.
E se eu choro no teu colo, se eu te peço um pouco mais de carinho, se eu te abro um pouco mais do meu coração, nunca é suficiente. Porque o meu coração feito de páginas de livros abertos não é o que você quer. Você quer um coração feito de mais e de menos e eu não posso te dar um coração assim e tudo que eu posso te oferecer além disso é o meu perdão.
Desculpe por não ser mais ou menos o que você queria.
Eu posso te oferecer mil palavras. Mas você não quer nenhuma. Não quer meu aconchego, minhas histórias malucas uma hora da manhã, meu dicionário, minha gramática errônea de quem aspira ser jornalista.
Você me abraça e é tão bom.
Seu abraço cheira à nota dez nas provas da professora de matemática exigente.
Pena que você não pode me salvar.
E se eu choro no teu colo, se eu te peço um pouco mais de carinho, se eu te abro um pouco mais do meu coração, nunca é suficiente. Porque o meu coração feito de páginas de livros abertos não é o que você quer. Você quer um coração feito de mais e de menos e eu não posso te dar um coração assim e tudo que eu posso te oferecer além disso é o meu perdão.
Desculpe por não ser mais ou menos o que você queria.
Eu posso te oferecer mil palavras. Mas você não quer nenhuma. Não quer meu aconchego, minhas histórias malucas uma hora da manhã, meu dicionário, minha gramática errônea de quem aspira ser jornalista.
Você me abraça e é tão bom.
Seu abraço cheira à nota dez nas provas da professora de matemática exigente.
Pena que você não pode me salvar.
sábado, 7 de julho de 2012
À minha família americana
No final eu não disse nada. E mesmo que eu saiba que de verdade eu nunca vou dizer, porque isso aqui vocês nunca lerão, espero que saibam, dentro de vocês, que eu tinha muito mais pra dizer, que eu tive um milhão de palavras entaladas que nem comida mal mastigada na minha garganta. Para começar, eu queria agradecer. É sim, agradecer. Eu sei, eu não me dei bem com nenhum de vocês ai. Mas eu quero agradecer, porque não me dando bem foi que eu percebi que jamais isso aconteceria. Jamais eu poderia me dar bem com pessoas tão pequenas. Eu sou muito pra vocês e só agora eu entendi. Então, desculpe se eu fui muito pra vocês, mas é que eu não posso segurar toda essa parte brilhante de mim. Mas eu tentei, viu? Juro que tentei! Mas nunca seria suficiente. Também queria me desculpar. Desculpa se eu fui uma menina de 17 anos que conseguiu ser mais madura do que uma de 36, porque eu nunca - nem com 14, 17, 20, 50 - NUNCA seria capaz de ameaçar alguém. "Eu tenho fotos horríveis de você, que todo mundo vai ver e que vão te deixar extremamente envergonhada." Você acha que isso é normal? Você acha que falar esse tipo de coisas para uma pessoa quase 20 anos mais jovem do que você FAZEM ALGUM SENTIDO? Mas tudo bem, porque as fotos podiam estar horríveis, só que é você quem ia passar vergonha. Bem, apesar disso, me desculpe se no meu país, nós comprimentamos pessoas com beijos na bochecha. Obrigada também, por dizer que eu sou lésbica. Por dizer que eu vou pro inferno. Por me chamar de aberração. Por dizer que eu só sou vegetariana porque quero chamar atenção. Legal saber que vocês sabem mais de mim do que eu mesma, né? Que mundo estranho. Eu não queria ter todo esse ódio. Eu não queria pesar tanto nisso. Eu não queria quase chorar quando eu penso nesses últimos meses. Mas eu também não queria ter pesadelos, porque essa prisão foi a única coisa com a qual eu sonhei desde que eu voltei. É como se eu não pudesse mais confiar em mim mesma. É como se cada vez que eu fosse pensar sobre mim, eu deixasse a visão de vocês me atrapalhar e só conseguisse pensar em mim mesma como um acidente de trem. Você sabe o que é ter medo de ir dormir, por que sabe que vai sonhar com isso? Por que sabe que não importa o quanto você tente, esses últimos meses sempre vão voltar para assombrar? Mas eu tento rir dessa palhaçada toda. No final, eu sei o que eu fiz e eu sei o que vocês fizeram. Porque se eu tivesse algo para dizer sobre alguém, eu diria na cara delas. Eu não usaria mensagens no facebook, eu não diria pelas costas, eu não "postaria no meu mural" sem ela saber, como vocês fizeram. Eu não chamaria ninguém de aberração. Eu não diria do que elas tem que gostar: se ela gosta de dançar, que dance; se gosta de ler, que leia; se gosta de fazer bolos, que faça bolos. E tem mais: se gosta de mulher, que fique com mulher e se gosta de homem, que fique com homem, porque EU sei que Deus nos fez assim e ele nos amará assim. Mas vocês se acham tão especiais, vocês se acham tão grandes que até sabem o padrão que Deus usa para julgar quem vai ou não para o Paraíso. Oh, perdão poderosíssimos. Eu não acredito em céu e inferno e vocês nunca seriam capazes de aceitar isso, porque para vocês, uma pessoa só pode ser certa se for como vocês. Mesmo que vocês digam o contrário, mesmo que vocês digam que não julgam, que aceitam as pessoas como são, palavras não significam bosta nenhuma. Sabe o que significa alguma coisa? O que você faz.
E vocês não fizeram por merecer.
Ter que ouvir que eu sou preguiçosa, enquanto vocês não sabem ir para UM lugar sem calçada. Ter que ouvir que vocês sabem mais sobre o meu país do que eu mesma só porque vocês tiveram 4 brasileiras na sua casa. Vocês querem o que por isso? Uma salva de palmas? Brasileiros não são todos iguais, americanos não são todos iguais, graças a Deus, porque se fossem, eu não teria trazido amigo nenhum. E o que mais? Eu não preciso postar no facebook 4578541646386 fotos só pra mostrar que eu sou feliz. Vocês repetem para si mesmos, vocês postam no facebook, vocês escrevem na parede que vocês são felizes porque parece que vocês precisam se convencer disso. A felicidade de vocês nunca chegará aos pés da minha. A minha felicidade é autêntica, verdadeira e além disso, ela é minha!
Sabe o que eu quero que vocês saibam? Que vocês podem ficar com tudo, porque nada disso significa alguma coisa para mim.
Vocês só não podem ficar comigo ;)
Estou de volta ao lugar que eu pertenço e desejo para vocês tudo em dobro do que vocês desejarem para mim. E sinceramente, porque eu não preciso falsificar meus sentimentos, muito bem, obrigada.
"Entre outras mil, és tu Brasil, óh pátria amada!"
E vocês não fizeram por merecer.
Ter que ouvir que eu sou preguiçosa, enquanto vocês não sabem ir para UM lugar sem calçada. Ter que ouvir que vocês sabem mais sobre o meu país do que eu mesma só porque vocês tiveram 4 brasileiras na sua casa. Vocês querem o que por isso? Uma salva de palmas? Brasileiros não são todos iguais, americanos não são todos iguais, graças a Deus, porque se fossem, eu não teria trazido amigo nenhum. E o que mais? Eu não preciso postar no facebook 4578541646386 fotos só pra mostrar que eu sou feliz. Vocês repetem para si mesmos, vocês postam no facebook, vocês escrevem na parede que vocês são felizes porque parece que vocês precisam se convencer disso. A felicidade de vocês nunca chegará aos pés da minha. A minha felicidade é autêntica, verdadeira e além disso, ela é minha!
Sabe o que eu quero que vocês saibam? Que vocês podem ficar com tudo, porque nada disso significa alguma coisa para mim.
Vocês só não podem ficar comigo ;)
Estou de volta ao lugar que eu pertenço e desejo para vocês tudo em dobro do que vocês desejarem para mim. E sinceramente, porque eu não preciso falsificar meus sentimentos, muito bem, obrigada.
"Entre outras mil, és tu Brasil, óh pátria amada!"
quarta-feira, 27 de junho de 2012
Pelo direito de fazer um desejo.
Porque hoje eu vi 00:00 e eu quis fazer um desejo e eu pensei 'Desejo que tudo dê certo entre...' e percebi que eu não tenho mais esse direito. Não tenho mais o direito de desejar que tudo dê certo entre mim e mais ninguém, porque acabou. Acabou já, faz um tempo, todo esse preenchimento, mesmo que dolorido, foi embora e vai voltar só Deus sabe quando. Eu sinto falta de alguém para me prender um pouquinho, para tirar meus pés do chão. Mas mesmo assim eu estou feliz. Porque agora eu tenho o direito - concedido por mim mesma - de desejar por mim. De desejar que eu passe na USP, de desejar que a Eletropaulo parcele nossa conta de luz, de desejar por qualquer coisa que não seja um amor que nunca será correspondido e por uma família falsa que nunca me amaria do jeito que eu mereço. Agora eu to aqui, no Brasil e as coisas tem que começar a ser mais sobre mim, porque já foi muito sobre os outros. Já foi muito pelo outros. Foram muitos desejos desperdiçados com gente que não merece nem um 00:00.
segunda-feira, 4 de junho de 2012
Só para não enlouquecer.
Só para não enlouquecer, eu me convenço de que você não é nada. Só para eu não pirar, me convenço de que foi só coisa da minha cabeça. Pra eu não quebrar tudo, digo a mim mesma que eu vou encontrar alguém. Que ainda não acabou. Que algum dia eu vou ter os lábios de alguém pra procurar todo dia, sem medo nenhum. Sempre foi tudo sobre mãos que tremem, mas um dia eu vou ter mãos enroscadas a outras mãos. Sempre foi tudo sobre domingos deprimentes, mas um dia eu vou ter algo que me acomode. Porque de segunda a sábado em horário comercial eu tenho meus amigos, tenho minha família, tenho minha escola, meus estudos, tenho coisas para ocupar minha mente. Mas a cama vazia no final da noite, no sábado de manhã, no domingo a tarde me atormenta. Me faz querer jogar tudo que eu tenho de quebrável na parede. Me faz querer rasgar meus livros no meio. Mas eu me comporto. Enquanto isso eu quero gritar.
Mas eu não grito.
Não de verdade.
Não o que eu quero gritar.
Mas quem sabe um dia, eu não vou mais querer gritar. Não desse jeito. Não.
Quem sabe um dia.
Mas eu não grito.
Não de verdade.
Não o que eu quero gritar.
Mas quem sabe um dia, eu não vou mais querer gritar. Não desse jeito. Não.
Quem sabe um dia.
sexta-feira, 1 de junho de 2012
Porque eu me prometi
Não, eu não gosto de você. Só porque eu me prometi que não ia gostar. Eu me prometi que eu não ia mais gostar de ninguém e você não vai ser a exceção, porque eu conheço essa história de cor. E eu não vou me permitir gostar de você, porque assim que eu gostar de você, você vai desistir de mim. Não vou me permitir gostar de você, porque nunca dá certo. E não vai dar mais certo depois. Eu sei. Eu quero pensar que apesar de tudo, você veio se despedir. Mas ai eu vou me perder de novo em algo que não significa nada de nada. Eu quero pensar que você não vai embora, mesmo quando você deve, mas isso também é se perder em nada. E eu to cansada de me perder em nada, eu faço isso o tempo todo. Eu fiz isso tantas vezes que agora eu não vou fazer. Porque eu faço isso demais. Porque eu cansei de ser tão intensa e de ver tudo em nada. Eu vejo tanto de você e da gente em nada. Eu não me convenço. E eu já passei por essa história e eu já não aguento mais. E se eu pensar do jeito que você fala comigo, das coisas que você fala, do jeito que você puxa o meu corpo pra perto do seu quando você vai me dar oi; se eu for pensar nisso, eu não desistiria. Mas então eu estaria pensando demais em você. E eu não posso mais pensar em você. Porque você é perda de tempo. E eu to cansada de perder o meu tempo com o mesmo tipo de cara. Então eu não vou pensar sobre nada disso, pra poder dormir em paz.
quinta-feira, 31 de maio de 2012
Sobre as coisas importantes na vida.
Quando somos crianças queremos o conjunto de lápis mais colorido. Quando somos adolescentes queremos o par de sapatos mais bonitos da festa. Quando somos adultas queremos o creme de celulite mais eficiente do mercado. E ai? Vai ser sempre assim? Vão ser todos assim? De nascer e morrer sempre querendo o mais? A maior festa? O maior número de gente nos dando feliz aniversário, mesmo que não signifique nada? Tantas pessoas olhando para nós por causa da nossa blusa? Aprendi com dificuldade que prefiro ganhar um feliz aniversário verdadeiro de uma pessoa que eu amo do que 20 de pessoas que eu não falo há séculos que me mandam algo no Facebook por pura consideração. Não preciso da piedade de ninguém. Não preciso que você venha na minha festa só porque acha que ninguém vai vir. Não preciso que fale comigo só porque acha que ninguém vai falar. Não, eu não sou assim tão independente. Não sou assim tão forte. Já passei por muita gente e pensei "como eu queria ser popular como ela". E depois me desfiz desse pensamento. Aquela pessoa com 300 amigos pode não ser tão feliz quanto eu sou com os meus amigos que conto nos dedos, que eu sei que vão estar comigo quando eu precisar. Você precisa de muita coragem pra fazer só poucos amigos. Ter 300 conhecidos é muito fácil. É muito fácil ter uma festa do pijama. É muito fácil acordar 5 horas da manhã pra fazer maquiagem, difícil é sair na rua de cara lavada. É muito fácil ser tudo aquilo que as pessoas querem que você seja, sorrir o tempo todo, responder coisas engraçadas e planejadas. Quer saber o que é difícil? Difícil é remar contra a maré. É quando todo mundo diz que você tem que ser popular, se vestir bonitinho, se comportar como uma dama e toda aquela baboseira de gente com 300-conhecidos-e-nenhum-amigo e apesar de tudo, você levanta e fala "E se eu não quiser ser assim? E se eu quiser falar sobre Harry Potter? E se eu quiser usar roupas maiores do que eu? E se eu quiser sair na rua sem estar maquiada? E se eu quiser correr e gritar e assistir filmes infantis da Disney? O que tem de errado nisso? Sou eu, afinal." Só digo que os meus amigos de contar no dedo que provavelmente são aberrações - em qualquer lugar do mundo - são melhores que tantas pessoas por aí que tem que ir na igreja todo domingo e vivendo uma vida perfeita. Eu não sou infeliz. Eu sou feliz ao extremo, tanta gente já me disse que não conhece ninguém mais feliz do que eu. Só que eu sou feliz assim, entende? Eu sou feliz lendo e assistindo Nickelodeon, e saindo de vez em quando pra não fazer nada. Eu não preciso de uma festa gigante, de gente na minha casa 24 horas por dia, de 300 "amigos". Isso é tão conveniente e isso me cansa. É tudo sempre a mesma coisa para aquelas pessoas, todas tão iguais e eu não aguentaria nunca ser igual a ninguém. Eu não aguentaria ter o cabelo igual a alguém, imagina a vida sequer parecida com a de alguém. Eu não sou outra pessoa e eu não seria outra pessoa em nenhum lugar do mundo. Aqui ou na China, ou na Austrália ou debaixo do mar, eu seria eu e isso é só um problema meu. Eu não sou gotinha, eu não sou fácil de lidar. Eu sou complicada, mas eu não vou me descomplicar porque você quer. Vou ser complicada aqui e vou ser complicada na Espanha, por exemplo. E vou gostar de ler na Inglaterra, e vou falar de Harry Potter no Japão e vou assistir Nickelodeon no Canadá. Porque eu sou assim e eu não vou mudar em nenhum lugar do mundo.
quarta-feira, 30 de maio de 2012
Loucura. É o que eu estou prestes a fazer. To doida pra enlouquecer. Eu quero te ligar. Mas isso seria loucura. Eu quero te ver, mas isso seria a maior loucura. Porque eu já sei o que acontece quando eu te vejo. Fui pro outro lado do continente pra te esquecer, voltei e ainda não esqueci e eu não posso falar isso pra ninguém, porque eu já não falo mais de você. Eu nunca mais falei de você, mas eu morro de vontade de falar de você pra todo mundo. Mas isso seria loucura. E mesmo que eu queira fazer loucuras, essas loucuras eu não posso fazer. Eu não posso mais gostar de você, porque gostar de você não é certo. E você nem deve saber de nada. E isso é outra loucura, porque eu não quero que você saiba.
Mas você nunca vai saber.
Eu nunca mais vou te ligar, nem entrar no seu perfil, nem reler seus emails. Eu nunca mais vou passar na frente da sua casa, nem esbarrar em você por querer, nem esperar a sua janelinha piscar.
Mesmo que isso me doa, mesmo que isso me deixe sem respirar por mais alguns dias, mesmo que eu fique sem dormir, que eu tenha que achar algum conforto em algo mais.
Mesmo que as palavras fiquem presas na minha garganta até que eu me esqueça delas.
Porque esquecer seria mais prudente.
E tão mais difícil.
Mas você nunca vai saber.
Eu nunca mais vou te ligar, nem entrar no seu perfil, nem reler seus emails. Eu nunca mais vou passar na frente da sua casa, nem esbarrar em você por querer, nem esperar a sua janelinha piscar.
Mesmo que isso me doa, mesmo que isso me deixe sem respirar por mais alguns dias, mesmo que eu fique sem dormir, que eu tenha que achar algum conforto em algo mais.
Mesmo que as palavras fiquem presas na minha garganta até que eu me esqueça delas.
Porque esquecer seria mais prudente.
E tão mais difícil.
terça-feira, 17 de janeiro de 2012
Não é sua culpa que você tenha desistido. Todo mundo desiste, eventualmente. De mim, eu quero dizer. Todo mundo desiste de mim. Sempre achei que eu fosse leve, mas na verdade, eu sou difícil, sou complicada, sou intensa. Tudo que ninguém quer. Tudo que ninguém entende. Desde o começo achei que tinha encontrado quem ia entender toda essa maluquice que fica na minha cabeça, que me buzina o tempo todo e não me deixa dormir. Mas você não entende e a culpa não é sua. Ninguém entende. Afinal, no final, as pessoas só vão embora. Você não falou nada, não se despediu, nem me deu a chance de dizer adeus para esse tempo que eu não vou te ver. Eu queria também, pedir desculpas. Sei que enlouqueço as pessoas devagar, eu nem vou percebendo, nem elas, mas elas não aguentam. Elas não querem ficar loucas e você também não queria, mas eu queria que você ficasse só mais um pouco, só pra eu ter um pouco mais de coragem de te deixar ir. Não tenho mais muito tempo, mas nós tivemos todo o tempo todo. Nós ainda temos todo o tempo do mundo. Você tem medo, e eu entendo. Eu tenho medo também. Só não vai agora. Agora eu preciso de você, você que se importo, você que me quis, que me esgotou. Eu to esgotada agora, eu não tenho mais nada. Eu, que sempre achei que fosse infinita, não quero gritar, não quero pular, nem tacar livros na parede de tanta raiva. Eu só quero voltar. Voltar a ser feliz, voltar a me entender, a me completar. Eu não quero ir sem saber que estamos bem. Mas você não liga mais. Você não liga e eu te espero o dia todo. Quase como se eu sentasse do lado do telefone e enlouquecesse devagar. Eu não quero enlouquecer, entende? Eu quero você, que leva embora a minha insanidade. Eu que to partindo, mas você que foi embora. Mas tá tão perto. Só que eu não tenho mais coragem de você. Você era tudo. Tudo e mais um pouco, e agora é um incômodo, uma pancada na cabeça, um pesadelo enquanto eu durmo, uma agonia de quando meu celular toca. Eu quero ligar pra você e te dizer tudo. Dizer que eu não aguento mais tudo isso que me devora absurdamente enquanto eu to sozinha, dizer que preciso de você aqui. Você importa mais que qualquer outro garoto que eu tenha tentado, qualquer outro garoto que não leve as coisas tão a sério. Você leva tudo tão a sério, mas é de um jeito bom. Você só não me leva a sério. To indo embora. Acho que assim eu te esqueço. Acho que assim, você pode sentir falta de mim. Ou não. Talvez eu sinta sua falta mais e mais enquanto você me esquece. Eu não aguentaria você me esquecendo. Tudo bem desistir de mim enquanto ainda sou um pontinho em você, uma coisinha no seu pensamento. Mas não me esqueço, por favor. Não me abandona. Não agora, depois de tudo. Eu preciso de você mais do que nunca.
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